Com mais de 1300 participantes Confinar encerra a 7ª edição em Campo Grande

O perfil do pecuarista da região Centro-Oeste, mais especificamente Mato Grosso e Mato Grosso do Sul é o fator que os deixam dependentes do mercado tradicional. Se houvesse mais união entre a classe, o poder ampliaria e as margens de lucro também. O depoimento é do diretor da cooperativa Maria Macia, Paulo Emílio Fernandes Phomann, palestrante da 7ª edição do Confinar, evento que reuniu cerca de 1.300 participantes e finalizou nesta quarta-feira (23), em Campo Grande (MS).

Na cooperativa paranaense, em determinados períodos, os pecuaristas chegam a obter 15% a mais no valor da arroba praticada no mercado. “Atualmente a margem está em 13%, mas foi a união entre os pecuaristas que tornou possível a formação de uma cooperativa com competência suficiente para driblar crises mercadológicas, como aconteceu durante a Operação Carne Fraca”, detalha.

Diversos outros pontos foram debatidos no Confinar, entre eles o potencial técnico dos pecuaristas. “Empregando mais tecnologias da porteira para dentro, com mais conhecimento e qualificação, o pecuarista passa a ter maior competitividade, segurança e margem de lucro. Àqueles que não se adequam, que atualmente é a maioria, podem acabar por abandonar a atividade”, pontuou outro palestrante, Maurício Palma Nogueira.

Segundo Nogueira ociosidade de vaca, sem produzir no decorrer do ano e pastagem que se degradam são os principais gargalos da pecuária. “Precisa-se de práticas mais adequadas para recuperação das áreas e melhorar o pacote gerencial das propriedades. Tratar a pecuária como negócio, é primordial para a atividade”.

A organização do evento assemelha o emprego de tecnologias na pecuária com uma máquina: que uma vez ligada, não se deve interromper o processo. “A partir do momento que se liga uma máquina, com um bezerro recém-nascido, não se deve desligar mais. O emprego de tecnologia deve ser constante e adaptado de acordo com cada sistema de produção”, fecha Carlos Gattass, membro da organização do Confinar 2018.

Os dois dias de evento somaram 18 palestras sobre mercado, integração, produção e sustentabilidade. Com participantes de todas as regiões do Brasil, em sua maioria pecuaristas, o Confinar contou também com o lançamento do livro “Entendendo o Conceito do Boi 777”, organizado pela equipe da APTA Colina (SP).